• Matheus Lopes Quirino

“A tristeza faz parte do espectro da felicidade”, diz o cartunista Pietro Soldi, em Londres

\\ ESPECIAIS


Em quarentena, artista faz uma radiografia de sua carreira e do momento de pandemia


Por Matheus Lopes Quirino

O cartunista Pietro Soldi (Imagem/ reprodução: acervo virtual do cartunista).

Em dada hora da quarentena, confinados em casa, olhamos para os lados, teto, chão. A unidade é intimamente estranha. Lá fora, o mundo parece desabar, e às vezes é aguçada – inconscientemente – a sensação de estar em um filme, ou em uma história em quadrinhos. O confinamento dá a impressão de tudo se passar em um quadro. Dia e noite se confundem e, para aqueles acostumados a bater perna, esse martírio de autocárcere é uma verdadeira ficção de terror.


A realidade bate à porta. As pessoas escapam, as curvas sobem e quem cansou de esperar o fim do toque de recolher, a cada vez mais, recorreu à ficção. Quem afia as pontas de lápis para escrever, rabiscar, viu na pandemia uma oportunidade única de colocar no papel os anseios, dúvidas e, através de provocações, questionar os rumos da sociedade, da política e das relações humanas – que muito têm sofrido com os rígidos protocolos de isolamento social.


Mas há também quem não tenha sofrido tanto com o isolamento. É o caso de Pietro Soldi, cartunista brasileiro radicado em Londres, Inglaterra, que retrata a quarentena a partir das observações sobre o Brasil, estando fora dele. A Inglaterra, que cambaleia para uma segunda onda da COVID-19, é hoje um país politicamente dividido, pós-Brexit, cujo primeiro-ministro sentiu na pele as severas implicações do Coronavírus.


Artista talentoso, que vem ganhando cada vez mais visibilidade a partir do conteúdo que publica nas redes sociais, Pietro Soldi acompanha os noticiários de sua casa, saindo apenas para as atividades essenciais. Caseiro e reservado, o cartunista, autor das Quarentiras(revista Trip), sente saudade de “viver em português”, ao mesmo tempo em que cria pequenas narrativas sofisticadas (e bilingues). Designer com portfólio internacional, foi a partir das tiras publicadas em anonimato que ele foi bem recebido pelo público. Seus desenhos têm na ternura, mas também na sagacidade, a potência de registrar insights do cotidiano. Ele respondeu às perguntas de Frentes Versos, convidado especialmente para a semana dos quadrinhos.

(Imagem/ reprodução: acervo virtual do cartunista).

Frentes Versos: Para começo de conversa, Pietro, me conte como você está hoje? Se pudesse olhar para trás e dar um conselho aquele menino que fez o primeiro quadrinho, o que você diria?


Pietro: Estou bem. Me sinto um pouco constrangido de dizer isso, mas

tenho me sentido um pouco melhor a cada ano que passa. Eu não voltaria para nenhum ponto específico do meu passado. Apesar dos pesares, eu gosto muito mais do meu presente do que do meu passado. Eu não sei o que eu diria para o Pietro do passado, pois acho que tudo o que aconteceu era somente o que poderia ter acontecido. Talvez eu diria para eu seguir fazendo o que achava que tinha que fazer, pois eventualmente isso me traria até aqui.

 

FV: Ainda nesta linha, como começou a sua trajetória? Quais são suas influências? quem são também?


Pietro: Minha trajetória não é muito linear. Abandonei o desenho algumas vezes antes de decidir não abandonar mais. Fiz de tudo um pouco até aqui, muito novo fui bedel de colégio, dei aulas de informática para crianças, fiz um semestre de direito, mas acabei me formando em publicidade. Trabalhei quase dez anos dentro de agência de propaganda, mas nunca gostei de fato do que eu fazia. Hoje em dia

acho que propaganda é um desserviço na maioria dos casos. Sempre achei meu desenho ruim e tinha vergonha do que produzia, mas em 2017 criei um Instagram sem usar meu nome real e passei a postar as minhas coisas por lá e depois disso não parei mais. O objetivo principal nunca foi publicar para ter reconhecimento, era para mim mesmo, para tirar algumas coisas do sistema e me aceitar como quadrinista, e funcionou.

Além de ter roubado muito da música, literatura, cinema, eu também roubei muita coisa da minha família. Eu tenho muita gente engraçada e contadora de histórias em casa, sempre tive. Uma das minhas coisas preferidas era ouvir meus tios contarem histórias. Era um ritual não oficial que tínhamos e que sinto muitas saudades. Minha família foi uma influência muito grande na minha formação.


FV: Uma curiosidade, quem te deu a sua primeira caixa de lápis?


Pietro: Provavelmente minha mãe. Minha mãe sempre foi muito presente nas nossas vidas (somos quatro filhos) e sempre batalhou muito em nossos nomes. Minha mãe sempre nos apoiou do seu próprio jeito, tivemos sorte. Na casa do meu pai eu tive meus primeiros contatos com quadrinhos. Ele gostava muito de Moebius e dos europeus em geral. Tenho memórias antigas de folhear uns exemplares de "Garagem Hermética” e “RanXerox” por exemplo. 


FV: Como é o seu processo criativo? E outra coisa, houve mudanças com a pandemia?


Pietro: Meu processo criativo é bem caótico e se modifica constantemente. Eu enjoo fácil das coisas e sempre acabo testando outras maneiras de fazer que eventualmente acabam sendo incorporadas ao meu processo. Eu sou muito lento, preguiçoso e um tanto prolixo. Eu levo uma manhã inteira – ou até mais – para fazer uma tira e adoraria conseguir fazer mais rápido. Tenho também um problema gigante de atenção e por isso preciso reler tudo umas tantas vezes para evitar erros e, mesmo assim, de vez quando, acabo soltando coisas com erros. Quero morrer quando acontece.

A pandemia me fez produzir mais. No começo da crise a minha esposa passou a trabalhar de casa e a disciplina dela me fez ser mais disciplinado também. Passei a ficar mais horas sentado na mesa, fiz mais turnos e acabei fazendo mais coisas. Ouvi muitos relatos de gente que ficou improdutiva durante a quarentena e eu compreendo completamente. Eu tive alguns dias bem confusos e estranhos, mas no geral consegui me entender desenhando, tive sorte.

 

FV: Como você tem lidado com o isolamento? É uma pergunta um tanto ampla, mas é para um bem maior: isso te deu mais ideias para criar, há mais bloqueios? Como está funcionando seu dia a dia?


Pietro: Para ser franco eu gosto do isolamento. Sempre fui muito caseiro e sempre gostei de ficar sozinho, então não tive muita dificuldade. Não foi um grande sacrifício deixar de ir a eventos sociais, pois eu raramente faço coisas desse tipo. Eu já trabalhava de casa desde antes da pandemia então isso também não foi uma novidade para mim. Tive dias de inércia completa no período mais pesado da crise, mas no geral me saí bem. Para mim foi inevitável não pensar obsessivamente no que estava acontecendo e isso acabou se

refletindo na minha produção. Um pouquinho depois do começo da pandemia a Carol Ito me chamou para desenhar as Quarentiras junto com ela na Trip/TPM e a partir daí desenhar sobre a pandemia acabou virando um exercício semanal.


FV: Você é um forasteiro em Londres. Pelo que li a seu respeito. O que te levou até aí? Quais foram as dificuldades que você encontrou do início e as de hoje, com pandemia e sem pandemia?


Pietro: Sim, moro em Londres desde maio de 2019. Viemos parar aqui,

pois a minha esposa Lilia, que é designer, foi chamada para trabalhar em um estúdio sediado aqui. Londres é uma cidade interessante, mas também bastante dura, como São Paulo também é. No começo a língua e o preço das coisas foram as nossas maiores dificuldades. Aqui tudo é muito caro e por mais que você saiba falar uma língua estrangeira, você jamais terá com ela a mesma relação que tem com a sua língua materna. Sinto falta de viver em português. Sinto também bastante falta da família e dos amigos próximos. É um sentimento confuso ver o tempo passar em blocos grandes, reencontrar as pessoas e notar que o tempo passou para elas sem que você estivesse por lá para acompanhar. Na pandemia o que complicou foi a saudade e a preocupação com a família. Temos pais e avós dentro do grupo de risco, então está sendo angustiante não poder estar próximo deles em um momento como esse.

(Imagem/ reprodução: acervo virtual do cartunista).

FV: Ser estrangeiro é uma pergunta que renderia um livro de não ficção. Mas vamos ser um pouco mais sucintos, o que é ser um desenhista estrangeiro, como você vê o mundo daí?


Pietro: Eu tenho uma vida dupla, pois desenho aqui e publico para o Brasil na maioria dos casos. Meu trabalho autoral é quase que totalmente focado no Brasil. Recentemente passei a publicar meus quadrinhos também em inglês, pois tenho alguns amigos gringos que acompanham o que eu faço e sempre ficavam perdidos, mas eu apenas os traduzo, escrever fora do seu idioma materno é outra história. Aos poucos tenho tentando me envolver com a cena local, mas o que noto é que aqui as pessoas que trabalham com quadrinhos e cultura em geral conseguem fazer disso a sua vida mais facilmente já que o mercado de quadrinhos e ilustração é mais maduro. Os trabalhos e os artistas têm suporte e são mais respeitados, o que é muito legal.


FV: ...e o Brasil?


Pietro: No Brasil é mais difícil, infelizmente. Temos pouquíssimo incentivo à cultura e também pouquíssimo respeito pelos nossos artistas, o que é uma pena, pois o nosso talento é enorme. Não nos ensinam a valorizar o que há de melhor na cultura e na produção do nosso povo. Exaustivamente nos falam sobre os nossos problemas, sobre tudo o que há de mais errado conosco sem que haja na mesma medida um exame e um discussão extensa sobre as razões que nos fizeram assim. No geral crescemos sem entender direito e sem respeitar o Brasil e o nosso povo, e isso se aplica a tudo, inclusive à cultura. É comum vermos mais valor no que vem de fora do que na produção nacional. Temos artistas formidáveis que me dão muito orgulho de ser brasileiro, não tem ninguém no mundo que faz ou

fez o que a Laerte faz por exemplo.  

"O Clube dos Tristes: Parte 1" (Imagem/ reprodução: acervo virtual do cartunista).

FV: Acho um barato o Clube dos Tristes. Eles são engraçados, afinal, você é feliz aí? Qual é a sua relação com a tristeza, Pietro?


Pietro: Muito obrigado. Eu não acho que tristeza seja o oposto de felicidade. Acho que tristeza faz parte do espectro da felicidade. Eu tenho meus momentos, mas no geral me considero uma pessoa feliz. A tristeza a que me refiro é uma tristeza que decorre da absorção do cotidiano. É um abatimento pela realidade, pelas coisas que a gente vê acontecer e que nos colocam em um estágio de alerta tão imenso que nos derrubam. 


A realidade em que estamos inseridos não deixa de ser uma máquina de gerar tristeza, dor e potencialmente rancor. Nos fazem tristes e rancorosos para que deixemos de ser solidários, para que possamos competir, acumular e etc. A dor é o combustível que mantém a coisa girando de certa maneira. O Nick Cave, que é um cantor, compositor e um dos meus maiores heróis, diz que ser feliz é um ato de vingança e eu gosto muito dessa ideia.  

"Chefe de Estado" (Imagem/ reprodução: acervo virtual do cartunista).

FV: O que você tem lido/visto que considera bom, não só no plano das artes visuais, mas na cultura em geral?


Pietro: Por conta da pandemia tenho consumido mais TV e Instagram do que qualquer outra coisa. Na TV vi uma minissérie espetacular chamada “I Know This Much is True” em que o Mark Ruffalo faz o papel de dois irmãos gêmeos – uma atuação excelente por sinal. Gostei bastante pois a história justifica o formato, depois de seis capítulos está tudo resolvido e você não fica refém de temporadas que se arrastam para sempre. É uma história bastante triste (para variar), mas bastante bonita ao mesmo tempo, recomendo fortemente.


FV: O que falta aqui (no Brasil) que tem aí (na Inglaterra) para que comecemos a funcionar?


Pietro: O Brasil e a Inglaterra têm muitas diferenças, mas têm muitas semelhanças também. Tirando as diferenças óbvias, percebo que as coisas obedecem uma lógica parecida de alguma forma. Assim como no Brasil, dinheiro, cor, classe e etc. ditam o que quão livre você pode ser. Estando na Europa é inevitável lembrar sempre que toda a estabilidade que existe aqui foi construída às custas da exploração devastadora de outros países, povos e culturas. O Brasil precisa urgentemente tratar as suas feridas. A elite brasileira tem uma dívida gigantesca com todo o resto do país e essa retratação é urgente. Precisamos começar a tomar conta disso para podermos sanar tudo o que nos causa dor. Existe muita reparação a ser feita e cada vez mais, mais pessoas estão se dando conta disso, um dia a maré vai

virar.


FV: — a começar pela pedra no nosso caminho, Bolsonaro —


Pietro: O Bolsonaro foi sem dúvida uma das maiores tragédias que já nos aconteceu, mas ele é só um fruto podre de um ressentimento e de uma amargura que carregamos desde muito tempo. Nos ensinaram a direcionar a nossa indignação e a nossa raiva contra nós mesmos para poderem nos controlar, mas é cada vez mais claro que o Bolsonaro, Trump, Boris, não vieram para ficar. Não podemos nos dar ao luxo de ter esses caras comandando o mundo simplesmente por uma questão de sobrevivência da nossa espécie. As coisas terão de mudar logo mais se desejarmos continuar habitando esse planeta, não há outra escolha. 


FV: Quem é sua grande influência? — agora sim falo de uma pessoa.


Pietro: Difícil citar uma só, pois tenho influências diversas que me tocam de maneiras diferentes de acordo com o que eu estiver fazendo, mas o Leonard Cohen para mim é uma fonte inesgotável de inspiração e

energia. Ouço os discos, leio as poesias e toda vez me sinto atingido de uma maneira diferente. Sempre tem um pedacinho diferente que me prende e me chacoalha.


FV: Como você vê o politicamente incorreto nos quadrinhos?


Pietro: A meu ver, pelo menos acompanhando os classicões (Adão, Angeli, Laerte), eles continuam ácidos. Mudou alguma coisa dos anos 90 pra cá? Com certeza. O humor mudou bastante, a forma de fazer piada em tira é diferente, às vezes nem existe uma piada propriamente dita. Na minha opinião o Angeli e – principalmente – a Laerte são os responsáveis por essa transformação, esse amadurecimento do formato e da linguagem que acho fantástico. Graças a artistas como eles, as pessoas não sabem o que esperar do cartunista. A tira passou a ser um canal aberto e muito livre, não há necessidade de uma formatação específica, personagens, piada ou até mesmo de sentido.


FV: Pietro, o que você acha do politicamente correto?


Pietro: Eu acho que essa é uma discussão delicada. Temos que saber diferenciar o que é um comentário crítico do que é apenas uma chacota desnecessária que pode reforçar estereótipos depreciativos. Me irrito com o politicamente correto quando ele assume uma função mercadológica e atua como diferencial de venda para agradar um público específico. Não é difícil achar arte ou produtos que respeitam princípios XY ou Z puramente como estratégia de marketing e não por preocupação genuína com tais princípios.


FV: Você tem hatters? Já quiseram te cancelar? (não podia deixar de dizer isso)


Pietro: Não, haha, nunca tive problemas maiores com nada que desenhei (por enquanto). Já recebi comentários raivosos de simpatizantes do presidente, mas tem um bom tempo que isso não acontece. Uma vez teve um cara que cismou com o meu trabalho e quis me contratar para desenhar para uma revista de direita pró-bolsonaro

que ele tinha planos de lançar. Diante da minha recusa ele então me revelou que tudo não passava de um plano para provar que os cartunistas só desenham por dinheiro, haha. O cara passou a me mandar mensagens regularmente no Instagram com notícias falsas ou fotos dos livros do Olavo de Carvalho até que eu perdi a paciência e bloqueei ele de uma vez por todas.


FV: Você tem um alter ego nos quadrinhos?


Pietro: Tudo que eu faço tem muito de mim. Durante um tempo eu desenhei umas tiras em que um sujeito chamado Robson enchia o saco da companheira(o) questionando as coisas e complicando tudo, o tempo todo. O Robson era bastante inspirado na dinâmica que tenho com a minha esposa. De vez em quando eu fico preso em alguns temas e ela sempre me desempaca com a sua praticidade, haha. 


FV: O que você acha do humor negro?


Pietro: Aqui vale um pouco do que eu comentei sobre o politicamente correto. Não tenho problemas com humor negro quando ele deriva de uma verdade ou de um comentário interessante sobre um tema qualquer. Acho que o humor é uma ferramenta poderosa e saber usá-lo não deixa de ser uma grande responsabilidade. Não acho que toda piada tem que ser edificante, muito menos acho que o humor tem que ensinar alguma coisa, mas acredito que o humor que puramente reforça a condição de quem já é marginalizado, excluído ou explorado não tem serventia alguma.


FV: Você ganha dinheiro com seu ofício? Dá para viver bem ou ser mais generoso?


Pietro: Minha renda vem principalmente do meu trabalho de ilustração comercial, mas cada vez mais projetos envolvendo quadrinhos têm aparecido pelo caminho, o que é bastante interessante. A maioria dos quadrinistas brasileiros que eu conheço rala muito para conseguir tirar sustento do seu trabalho autoral. Além de escrever e desenhar, o pessoal edita, imprime, distribui e vende os próprios trabalhos, é uma vida bastante suada a do quadrinista independente e é uma pena que seja assim. 


FV: Você já se arrependeu de algum trabalho que fez?


Pietro: Algumas vezes. Eu detesto desenhar com raiva, pois não consigo acertar o tom e acabo errando a mão. Já apaguei postagens pontuais que fiz no calor de um acontecimento ou outro por conta do tom que os desenhos acabaram adquirindo. O que também acontece é olhar outra vez para desenhos antigos e me arrepender de não ter desenhado diferente ou ter escrito de outra maneira, isso é bem comum, mas já foi bem pior. Tenho tentado aprender a abandonar as coisas com um pouco mais de facilidade e ser um pouco mais generoso comigo mesmo.


FV: Tem algumas indicações para sobreviver à quarentena? Você também pode deixar uma mensagem para o nosso leitor.


Pietro: Não podemos nos esquecer que a pandemia não acabou e que ainda está longe de acabar, então eu diria para as pessoas se cuidarem e cuidarem dos outros. Evite fazer coisas que você não precisaria fazer agora, use máscara, lave as mãos etc. Até que exista uma vacina não há o que fazer a não ser ter responsabilidade para ajudar a controlar a crise. Na dúvida faça o oposto que do que o Bolsonaro faria que você terá mais chances de estar no caminho certo.

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