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[FLIP 2018] Singularidade espiritual na pluralidade cultural de Paraty marca encontros

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Em curiosa aproximação destas duas mulheres, Hilda Hilst e Hilma Klint dividem o fascínio pelo transcendental, ultrapassando os limites da razão humana


Por Giovana Proença, enviada à Paraty

(Imagem/divulgação)


O penúltimo dia da 16ª Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, foi permeado pela profusão de visitantes. Margeados pelas praias e a paisagem singular dos casarões da cidade, os turistas seguiam os ladrilhos da Paraty histórica por roteiro e cardápio diversos desta edição.

Entre o caminho de prédios preservados que ebuliam vida, colorindo a paisagem com seus tons, criou-se uma atmosfera mítica, transpondo os turistas a tempos regressos. O cenário pitoresco e íntimo do natural e seus elementos associam-se ao conceito da obra de Hilda Hilst, a grande homenageada da festa, cuja figura emblemática transpõe todo o clima e essência do evento. Nesse sábado destacou-se o bate-papo na Livraria das Marés com Luciana Pinheiro, autora de As cores da alma, biografia da pintora sueca, Hilma Klint, cuja exposição foi destaque no início deste ano na Pinacoteca de São Paulo.

Imagem: arquivo/Revista Veredas – Hilma Klint na Pinacoteca


Com o objetivo de reunir várias facetas do fazer literário, a curiosa aproximação destas duas mulheres – e artistas – de realidades distintas, entretanto, que dividem o fascínio e a proximidade com o transcendental podendo ultrapassar os limites da razão humana em busca da atividade e contato espiritual. Esse universo mediúnico foi procurado por Hilda Hilst na tentativa de contato com espíritos por meio da transfiguração instrumental na Casa do Sol, em Campinas – sua morada, tal qual é representando no documentário “Hilda Hilst pede contato”, cuja estreia ocorreu na própria FLIP.

A representação do mítico aos olhos da pintora, Hilma Klint, evidencia em sua arte a expressão do subjetivo pela ação de seres, criando universos invisíveis e carregando mensagens do oculto, sua eterna fonte de pesquisa, anos a fio, em experimentos que mesclavam cores, sentimentos, naturezas e a alma humana.

A escritora Hilda Hilst, imagem: reprodução


A força que essas duas mulheres de personalidade emblemáticas e suas experiências trazem à FLIP –  aliada ao turbilhão e à movimentação acarretada pela festa – cria um paradoxo entre plural e singular; a alma e o espirito de Paraty em seus casarios coloridos, exprimindo o esoterismo  nas paredes dos prédios de suas igrejas e nos artesanatos indígenas, de culturas alternativas, nos elementos naturais de suas águas e no vento oriundo da maresia, de modo que o ambiente da cidade é o palco ideal para essa explosão metafisica de multiplicidade na qual o poder literário emerge como protagonista, com seus espectadores recolhendo as conchas deixadas pelas ondas desse mar cultural.

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