• Tomás Fiore Negreiros

FLUXOS ou vi vocês numa quinta e achei que fosse sábado

\\ CONTOS

Já não nevava naquela manhã de sexta-feira, afinal não havia mais tempo para aquilo. As ruas corriam os ônibus, as pombas caçavam suas sombras.

Por Tomás Fiore Negreiros


Fotografia de Ana Beatriz Fagundes (reprodução: acervo digital da fotógrafa)

Nevava naquela São Paulo, trazida por novembro. Endossada pelo coro-alado multicolorido de aves invisíveis, dia já era. Promessa de um sol opaco, pálido, lento e morno; Preguiçava mais e mais ao se desvencilhar das nebulosas cobertas. — Duvido que estaria assim se tivesse acompanhado nosso andarilhar noturno. Ela pensava.

Nevava daquele lado da rua, mas podia ser em qualquer outro. Repentinamente, bancas de café da manhã irrompiam ao nosso redor. Provocando gritos e berros dos paralelepipedos recém-desadormecidos: “um pão de leite pro moço ali. Um cafézinho pra moça aqui; faz pra viagem, que o onibus pra Pirituba já tá vindo, dona! O jovem vai querer o bolo de laranja… se cair no chão não tem problema qui’ as pomba’ comem; troco pra cinquenta? Vixe, moço, só se tu me compra a fornada!”.

Joana acompanhava e desacompanhava os pedidos ao pé do ouvido. As vozes das vendedoras me levavam para passear longe de Rafa, de suas opiniões irrelevantes sobre as próximas eleições municipais, de suas impressões sobre sua última viagem ao Jalapão, de suas falhas tentativas de formular uma frase que fizesse sentid... - caralho, como ele fica chato quando bebe.

Nevava naquela manhã, impregnada do calor sufocante da noite. Suava por entre minhas sobrancelhas, escorrendo por minhas axilas, descendo pela minha virilha, desaguando em meus pés empoçados, alcançando o meu copo vazio… Ahhhh! Nem cerveja pode com o calor do dia.

Os pequenos cristais luminosos dançavam a forma do ar: planando, cintilando, queimando sob as luzes do sol e os raios da noite. Eram incansáveis diante dos ditos proféticos alvorados: “já haviam visto anomalias e monstruosidades piores na noite que se findara” — li uma vez em algum livro — “não iriam apagar agora”.

Nevava bem no nariz daquela espécie tão paulistana de bardaria. Um híbrido que democratizava o balcão entre os espíritos da noite e as almas do dia; ditos que vinham e cujos que iam. Recinto que não distinguia as idas das vindas. Onde se pode comprar a primeira fornada de pão francês enquanto se termina a última dose de Ypioca. Estabelecimento inclusivo para trabalhadores sérios e bêbados largados.

Nevava a heterogeneidade da clientela, escorrendo na minha face pinceladas sintéticas de gelo. Escorria-lhe o fino nariz vermelho, Danilo chorava lágrimas laranjas, e, das maçãs chupadas do rosto, escorria uma mistura de azul, prateada e glitter; nascia arco-em-íris pela manhã. A maquiagem, confeccionada por Joana, agora esboçava aquele distorcido e ambíguo momento. Um quadro-rosto que esbanjava em borrões de hoje as reminiscêntes pinceladas de ontem.

Nevava, escorrendo tinta, glitter, suor e álcool ao nascer do sol. Nevava na cinzenta calçada sobre os meus pés, nevava na mesa vermelha de plástico com o logo da Itaipava, nevava sobre o cinzeiro em que batia as cinzas do meu cigarro. Nevava no copo de Danilo, decantado flocos de pele ao fundo; não que ele se importasse, continuava indiferente ao líquido da quentura e da cor de mijo. Talvez ingerir um pouco da escamação das placas brilhosas. Não parecia problema àquelas alturas. Afinal, nevava.


Noss’ mano, tá abafado pra caralho! A breja até já esquentou … nem meu mijo tá tão quente assim. Do outro lado da bancada, Joana exalava em ombros esfumacentos sua indiferença irônica. Seu olhar frio esquentava, mais ainda, meu copo, dando contorno aos seus pensamentos inquisidores.

Essas hora’ da manhã e você quer reclamar da temperatura da cerveja? Franzia a testa enquanto jogava um cigarro na boca. Parecia que havia anos desde ontem, quando Joana fazia do ato de fumar um ritual delicado. Quando passava o filtro pelos seus lábios, e deixava na seda as marcas de batom. Toda dramatização acontecia quando entreabria a boca e liberava aquela serpente de fumaça quente, aquela que escalava sua garganta às unhadas. Hoje já não havia mais aquele jogo de cena, mas outro mise en scène; uma nova performance, mas ainda sobre o mando de seu constante diretor de abstinência de nicotina… Nóis já deu sorte só de encontrá esse pico aberto, não reclama.

Ah, sim. Mas mesmo assim, cerveja choca não dá. Cara, foda-se! Se não quiser não toma.

Ignorei Joana virando-me para Danilo e seu copo, que afogava-se mais e mais em pó de arco-íris e líquido borbulhante. Naquela situação teria pedido outro recipiente, jogado a cerveja na calçada, feito uma cena ali mesmo no meio-fio,— provocado todo um alvoroço antes do meio-dia ... mas Danilo não. O modo como seus olhos devoravam o mundo parecia desfocar sua mente; adensava-os gradualmente na parede de tijolos à moda da Vila Madalena. Não se importava. Na verdade, não me importava muito com nada. Mas Rafael, sim. Vô pegar uma cachaça. Já deu de cerveja quente pra mim hoje.

Cê que sabe...


Seus dedos, finos e amarelados, agarraram-se aos braços da cadeira plastificada — “de pé, a bebida desce; embriaga não só a cabeça mas também os pés”. As pernas polietilenizadas envergavam sofridamente ao peso ébrio. A cadeira se esforçava para não ir ao chão. Com os braços ergui-me. Deu uma batida forte com o joelho sob a mesa estampada. Afligiu a nós, os copos americanos, e a garrafa de 1 litro, que quase desfaleceu imaginando-se estatelada em cacos cristalinos no chão. Puta que pariu Rafael, toma cuidado caralho! Estava prestes a lançar o cigarro em sua direção...

Pensando melhor. Não valia o desperdício. Estava longe; tanto quanto a marca que indicava o fim do tabaco, da nicotina, e de todas as toxinas que vinham de brinde ao meu peito. Puts, mals ai.... Meio sem jeito, meio arrependido, meio que por uma questão de decoro dos bêbados. Relevei. Àquela altura da noite já havia abrido mão de qualquer tentativa de argumentação, só queria tomar minha cachaça, ir pra casa e parar de ouvir a voz rouca e irritante de Joana.

Virou as costas e riscou a calçada com seus passos tortos até dentro do boteco que encarava a rua. Não éramos os únicos: na porta do estabelecimento, dois homens apreciavam a agitada crônica urbana dos copos transeuntes. Pá-pê-Ahhhh, vem-ca fé. Faziam-no como nós, bebericavam em copos americanos, rodeados pelo estabelecimento, imersos no clamor do dia — diferentes meios para os mesmos fins … ou será que era o contrário? Tanto faz, acho que ainda havia dia para todos. O páreo era duro àquelas horas da matina; imagine tentar manter uma linha de raciocínio condizente ... por quê estou pensando nisso mesmo? FODA-SE!

Voltaram-se para Rafa, fuzilando desaprovadamente sua guinada cambaleante. Tentava conter a risada diante daquela cena mordendo os lábios, mas não era muito exitosa em conter-me, deixando vazar alguns risos comedidos às beiradas. Ela hilária, de tão ridícula, a situação daquelas três figuras: claramente bêbadas e viradas da noite, fedendo a álcool, suor, glitter, cigarro, um festival de roupas coloridas e palhaços decadentes no velho centro urbano cinza. Destoávamos das pessoas que passavam ali pela rua, em direção ao trabalho, às suas obrigações com o mercado, às exigências das galerias e investidores, à vida sóbria e bem regrada do mundo das pessoas sérias da distopia de arte & ofícios.

Que se foda o trabalho, que se foda a arte!

Usava como seu lema...pelo menos, parecia um bom mote para aqueles momentos de nada. Pelo menos o copo mantinha-se cheio.

Ahhh que se foda.

Sério? Nada.

Os dois homens perceberam o olhar de Joana e a rebeldia de sua risada em conter-se. Comentaram algo entre si. Buz-buz-bunda-buz-buz-buzceta-buz-buz-busto-buz-buz-bucha…. o trânsito da Mourato Coelho não permitia conversas de mais de 4 metros de buzbuzbuzzes. Mas seus olhos falavam: “ei lindinha, ei, psiu! Não quer dar um gás na bagunça de vocês? Por que não mostrar pra gente o que você guarda ai?!”. Falavam não, PEITOS, gritavam, PEITOS, e berravam ao decote, PEI-TOS, do seu top, do meu top, P-E-I-T-OS, na vã esperança de estabelecerem um diálogo. Cês perderam alguma coisa aqui caralho? Seus escroto’! Vão fica’ olhando assim pra pUta que te pariu! Gritava-me inflando o peito em puro ardor rouco.

Nem meu próprio corpo consentia minha breve rebeldia contra o patriarcado. Me doíam os pulmões fumantes. Cometi-me a colocar meu corta vento para cortar sua visão, suas fantasias e, de preferência, o pau daqueles fudidos. Puxei a cadeira para próximo de Diego.

Não que ele fosse ajudar naquele estado, mas esses caras geralmente afinam quando tem uma outra rola por perto. Bizolhei com a ponta do olho pra ver se ainda estavam lá… ufa, já tinham entrado e sentado numa mesa ao fundo do bar. Cadê o porra do Rafa? Esticou o pescoço com mais liberdade e o avistou de costas, expondo sua camisa florida marcada pelas manchas de suor que desciam das axilas em direção à sua bunda. Não havia casaco amarrado em sua cintura, nem pendiam as exigências de ser uma bela, recatada e dó-lar. A camisa continuava semiaberta e expunha os pelos nus de seu peito.


Fotografia de Ana Beatriz Fagundes (reprodução: acervo digital da fotógrafa*)

Dentro da bardaria, um balcão de mármore, iluminado pela meia luz proeminente da rua, me encarava da entrada do estabelecimento e dava bom-dia aos fregueses; — bom dia, caralho — uma vez que o senhor bigodudo por trás do balcão não o fazia. Enquanto me dirigia ao bigode que secava copos americanos, já vislumbrava a estufa transparente e aquilo que ela guardava.

Esse aqui é do que amigão? A redoma de vidro exibia meia dúzia de fritos e assados ao mesmo tempo que esquentava a ponta do meu dedo. No adesivo colado à parte metálica da estufa, o aviso: “Cuidado, metal quente”. Croquete de bacalhau; Pastel de forno de escarola; Risole de presunto… A fome era tanta que apenas relevei a monotonia de sua voz. Pensei em cada uma das opções: mastiguei, saboreie e degluti na língua do portuga. Senti subir à garganta o frango assado da … quando foi a última vez que comi mesmo? Não tem coxinha? O enjoo causado pela bebida já era suficiente por aquela noite. Croquete de bacalhau; Pastel de forno de escarola; Risole de presunto, ronronava e repetia sem qualquer mudança na tonalidade monótona. Revirava-me os olhos do estômago.

Nem pão de queijo tem? — Última tentativa, prometo —. Croquete de bacalhau; Pastel de forno de escarola; Risole de presunto... Foda-se. Eu nem mais lhe existia. Retiro o que disse sobre como a voz da Joana é irritante. Mas, ainda tinha sede. Ótimo. Tem Salinas? Não, só cincum. Ele tava me testando. Tranquilo, vai ser a dose então. 5 pau. Além mal-humorado o bigode também é careiro.

Tirei algumas moedas do bolso e comecei a fazer um som batendo uma delas no balcão: o som metálico contornava o mármore, preenchendo o estabelecimento com seu tiq-taq-ar abafado. O portuga me olhou torto. Agora que eu continuava mesmo, quero ver ele fazer alguma coisa. Estava praticamente compondo um samba enquanto o bigode virava a dose de cachaça no mesmo copo que secava quando entrei. Observava cada golada da garrafa e o líquido transparente caindo ao som das minhas batidas sem ritmo. Ia abrir uma escola de samba com o bigode e colocá-lo como porta-bandeira da Salinas. Recebeu o copo, brigado, paguei com as moedas. Enfia no cu essa porra de 5 reais. Recebi de troco, um hmm e um olhar de peixe morto que fazia jus aos demais. Cara chato da porra, nunca mais volto aqui. Bom dia pro sinhô, qualquer coisa eu volto. Hmm. Virou-se. Virei-me.

Era impressionante como ainda não havia me deparado com o dia escancarado do lado de fora do bar: suas paredes e a cobertura faziam com que o interior à meia-sombra clamasse pela claridade envergonhada das 6h30. Esfreguei os olhos ardentes.

A manhã já carregava consigo os fluxos, as idas e vindas, a correria, OS GRITOS… já Jo se encontrava em seu mesmo assento, na companhia de outro cigarro e Diego estava atônito, copo em mão, cigarro queimando, olhando sabe-se lá pro quê. Tomei um gole; sentindo os arenosos grãos coloridos dissolvendo-se na cana. Um motorista de ônibus esguelava a buzina na nossa direção: estávamos na contramão?


Rafa submergiu dos domínios trevosos do estabelecimento; se ergueu como quadro contemporâneo, puro retrato do espírito daqueles dias: homem-branco-médio-alto-um metro e setenta e sete, calça jeans apertada, rota, rasgada nos joelhos, amarrotada e alçada. O famoso “calculadamente desarrumado” da bolha-oeste-paulistana. Manchas roxa-radioativas confundiam-se com as manchas floridas coloridas, marchando em direção ao casaco preto já manchado e respingando, babando em cores vívidas, sobre as manchas úmidas na região superior da coxa inferior da virilha (a noite manchava cada vez mais as intenções de se ir ao banheiro), que deixaram manchas-mechas sob os olhos, manchando o dia de sono enquanto a bebida manchava a memória do que por ali ficava. Os espíritos manchados bebiam as memórias daqueles dias de calor infernal.

Apertava os olhos na vã esperança de proteger seu copo polimérico, dourado agora pelo brilhor do sol. Às costas, um bar, uma padaria, um reduto boêmio, o ponto de início do trabalhador. Não sei ao certo, fazia horas que a bebida já estava confundindo a minha cabeça. Desde a faculdade que não analisava um quadro modernista tão de perto — Estava bêbada? Fodasse, o Rafa sim, estava. Ahn, cê ta bem? É, eu estava bêbada. Sim, a bebida dourada está quente.

Hmmm quÊ? Ahhh to sim hmm. Podia cronometrar o tempo que levava para formular cada frase. To cuma puta fome. Será que tem algum méqui aberto por aqui? Me recusava a responder aquilo. Nem conseguia mais manter contato visual, ele balbuciava enquanto olhava para o símbolo da Itaipava estampado na mesa. Dava pra perceber como ele estava lutando para se manter desperto … mais estampado que o próprio logo, logo eu via e me divertia com o esforço rárárárá. Hmm dá umm cigarro, po’ fava.

Puta que pariu, de novo? Cara odei-u quando você fica bêbado e começa a fuma’ os meus cigarro’! Porra! ou fuma e compra os seus cigarros, ou não fuma e não pede pros outro’ … falava mas sabia que não ia fazer diferença nenhuma: Rafa ia continuar fumando atendendo o chamado da bebida, e eu ia continuar reclamando, atendendo o chamado do bêbado balbuciante.


Ela parecia puta — como sempre ela parecia — mas ela ia me dar um cigarro — como sempre eu cedia pra ele. Jogou o embutido de nicotina na mesa. Tomou um grande gole de cerveja, fazendo com que suas mechas vermelhas recaíssem sobre sua nuca enquanto inclinava a cabeça para trás — a sede que assola o fundo da garganta requer movimentos intensos. Retomou o copo ao seu antigo posto, agora vazio, mas levando como lembrança uma marca de beijo com batom, relembrando aquela antiga visita aos seus lábios. Sob a cortina da fumaça exalada pelo cigarros, goleei a cachaça.

Ohhh Dieeego! Que que cê’ ta olhando mano? Cutuquei um de seus ombros magros e ossudos - enxergava o dobro do que costumava esperar em uma pessoa - , o que respondi como se despertasse de um sono profundo, distante. Olhou-me com um olhar meio atordoado, meio torto, aquele típico brilhor ressacado que remetia a outros dias de glória, a carnavais de outras eras, a feriados mais prolongados. — Que dia era mesmo hoje? Sexta?! — Ahhnn. Que foi? Que foi o que? A voz recém-chegada de outro plano, de uma região onde o tempo era mais lento, onde as coisas eram mais dotadas de sentidos, cores … com certeza era a primeira vez naquele dia que se encontrava naquela mesa de bar naquela Mourato Coelho.

O que cê’ tá olhando mano? Tamo aqui conversando desde que a gente chego e cê’ tá aí parado olhando pro nada…tua cerveja tá esquentando aí a mó cota. Ahh, verdade. Agarrei o copo com o polegar e o indicador, mas logo percebi pequenos grãos de areia brilhante no fundo. Desisti do gole em meio a sua execução. Deixará cair glitter na bebida.

Fotografia de Ana Beatriz Fagundes (reprodução: acervo digital da fotógrafa*)

Já não nevava mais sobre a mesa de bar. Descomprindo todas as suas promessas passadas, o liquido dourado não satisfez a garganta com o sútil arranhar de suas bolhas de gás. Mesmo a temperatura do líquido se opunha completamente às garantias entregues pelos comerciais de tevê. O valor pago de “5 paus” não valia nem as imagens da loira gelada, morena [de] devassa..

Já não nevava mais naquela manhã, marcada pelo amargor no céu da boca. Coberta e completamente tingida por glitter multicolorido, parecia loucura esperar por flocos de neve na ponta da língua. O gosto áspero intensificava-se conforme o calor e o bafo urbano se agarravam aos nossos tornozelos e subiam pelo pescoço.

Já não nevava naquele lado da cidade. Os olhares das pessoas nos ônibus atravessavam às rajadas, em fuzilamento, a mim, e ao meu copo coberto pela camisa florida. A moça negra que carregava uma bolsa marrom e um guarda-chuva de 10 reais que se espremia no veículo abarrotado de corpos; o homem de nariz grosso e marcado, que fumava café enquanto desconfiava do dia; o mendigo que puxava o carrinho de mercado de três pernas e meia, trazendo seus papelões e restos dos corpos de obra; o vira-lata dourado que batia asas pela calçada em direção ao mercado de Pinheiros — vai saber o que há de bom pra lá….

Já não nevava naquela manhã de sexta-feira, afinal não havia mais tempo para aquilo. As ruas corriam os ônibus, as pombas caçavam suas sombras. A cerveja derramada seguia seu fluxo, engolida pelo bueiro fundo e escuro, despedindo-se das três figuras que continuavam sentadas no bar. Joana tomava seu cigarro com cerveja, Rafael bebericava a possibilidade de um salgado que aliviasse sua embriaguez, e eu, e eu nevava em São Paulo.


*Clique aqui para conferir o acervo digital da fotógrafa Ana Beatriz Fagundes.

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