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Há dias

\\ INFINITUDES

a cada pisada, fincamos firmes os pés no chão, tentando seguir em frente, e a água nos empurra para trás e para trás e para trás.

Por Isabela Nunes, colaboração para Frentes Versos

Zusammenfluss D (2012), de Hiroko Nakajima

Há dias em que a inércia atinge com mais força que o normal. Os olhos pesam, o corpo amolece, a mente enevoada luta contra uma cortina de chumbo para orquestrar o mínimo dos pensamentos. Nesses dias, qualquer esforço parece infinito. É um nadar sem fim contra a correnteza: a cada pisada, fincamos firmes os pés no chão, tentando seguir em frente, e a água nos empurra para trás e para trás e para trás. Mover-se é difícil, nesses dias. As retinas, cansadas, veem tudo como água escorrendo pelos dedos: nada fica, nada dura.


Há dias em que é mais fácil deixar a gravidade vencer.


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