• Bruno Pernambuco

Homenagem

\\ TERCEIRO SINAL

Uma lembrança mais próxima, mais quente, mais aqui, mais forte, mais tudo, uma lembrança inteira, inteira, cresceu em mim até explodir numa galáxia…

Por Bruno Pernambuco


"El Olimpo: batalla con los gigantes" (1764), por Francisco Bayeu y Subías

Alhures das horas me chamaram. Ressaca do mar, remissão. Um conto guardado em uma história vaga. Uma perdição. Um olhar de sal que me foi entregue pela estátua. Uma saudade macia…


Um calor de uma cama e um cheiro delicado. Um recado deixado para mim mesmo que não chegou. Uma mancha correndo pela alma, uma mancha correndo pela parede branca…


Uma corrida que ficou registrada em sua velocidade suspensa. Uma pata de um inseto sobre a tensão superficial da água. Notícias que atravessavam o fio. Uma lembrança mais próxima, mais quente, mais aqui, mais forte, mais tudo, uma lembrança inteira, inteira, cresceu em mim até explodir numa galáxia…


Um desenho que ficou incluído em meio às fotografias. Um compromisso que se disse o definitivo. A velocidade de um descarrilhamento. O velho, novamente, mas agora com um sorriso. Uma alegria postiça que foi pendurada e lentamente ficou secando com o calor do dia. Uma sensação úmida, e o peso de uma pena cinza tocando uma ópera…


Uma marca que ficou na pele com a sabedoria de uma pintura rupestre. Uma bebida gelando. Uma representação do amor. Um nada acontecendo pela janela. Um tempo que não chegou a tempo para o gosto amargo do remédio. Um segredo que ficou guardado. Um instante de um sorriso cúmplice. Uma flor roxa vivendo em lugar nenhum…


Um sinal de armistício e cupim roendo a porta do armário. Um arquivo exaustivamente sem fim. A surpresa de um movimento que não se explicava. Uma mancha do copo derrubado no chão que não foi vista. Um arbítrio ululante. Uma calma que quase mas não evaporou...


Uma voz vermelha e uma expressão tranquila. Um vão. Um salto para dentro do sonho e para fora. Uma pirueta arremessada ao incerto. Um voo que encontrou seu destino e passou e voltou. Uma ode que foi escrita e arquivada.


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