• André Vieira

[Entrevista] Jornal que deu origem à 'Geração Suplemento', SLMG mantém tradição em revelar talentos*

\\ ESPECIAIS

"[...] a falta de jornalistas especializados, nesta época de computador, piora as coisas. Os próprios jornalistas tradicionais estão perdendo suas vagas para máquinas..."

Por André Vieira

Turma do barulho.A Geração Suplemento. Em pé: Duílio Gomes, Luís Gonzaga Vieira, Sérgio Sant’Anna, Luís Márcio Vianna, Antônio Carlos Braga, Sérgio Tross e Humberto Werneck. Agachados: Jaime Prado Gouvêa, Márcio Sampaio, Luiz Vilela e Valdimir Diniz na redação do Suplemento Literário de Minas Gerais, em 1970 (acervo SLMG)


Criado pelo escritor Murilo Rubião, o Suplemento Literário "Minas Gerais" foi escola de escritores e jornalistas mineiros. Passaram pela redação do SLMG nomes como Wander Pirolli, Emílio Moura, Libério Neves, Murilo Rubião, entre tantos outros gigantes da prosa e poesia mineira. Hoje, a publicação esta sob o comando de Jaime Prado Gouvêa.



Frentes Versos - Como nasceu o Suplemento Literário de Minas Gerais? Foi por mero acaso ou houve algum planejamento prévio


Jaime Prado Gouvêa - O SLMG nasceu quando Murilo Rubião, à época funcionário da Imprensa Oficial, viu que na lei que criou o jornal oficial “Minas Gerais” havia a recomendação de que fosse reservada uma página para a cultura. Murilo, então, sugeriu ao Diretor da Imprensa fazer um suplemento, no que foi apoiado. Assim, no dia 3 de setembro de 1966, o primeiro número do SLMG foi lançado.


Como é planejado o calendário de publicações do Suplemento? Há uma periodicidade fixa, o varia de acordo com o número de material disponível para publicação?


O SLMG publica seis edições bimestrais por ano, compostas das colaborações que nos são enviadas, ou que são encomendadas. A partir desse material, montamos os números. Já os dois números especiais anuais (em maio e novembro), são planejados com bastante antecedência, dependendo das comemorações ou eventos do momento.

No entendimento do Suplemento, qual é o papel social de uma publicação alternativa?


No nosso caso, divulgar a literatura e as artes a ela conexas (as artes plásticas, por exemplo, vêm juntas com contos e poemas e forma de ilustrações), além de oferecer um espaço para que autores estreantes ou mesmo consagrados publiquem suas obras.


Quais são as maiores dificuldades enfrentadas pelo Suplemento e por outras revistas alternativas?


As dificuldades do nosso Suplemento são relacionadas às mudanças de política e de humor do Estado, do qual faz parte. No momento, é a crise financeira que tem atrapalhado nossas funções.


O campo das Belas Artes (Cinema, Teatro, Música, Literatura etc.) sempre andou de mãos dadas com o jornalismo, sobretudo brasileiro. Não é curioso que de alguns anos pra cá, os principais veículos noticiosos do País estejam dando cada vez menos espaço para essa parceria? Ou isso seria mais um reflexo da eterna “crise” que paira sobre o jornalismo?


Creio que a Literatura é que tem sofrido mais com isso. E a falta de jornalistas especializados, nesta época de computador, piora as coisas. Os próprios jornalistas tradicionais estão perdendo suas vagas para máquinas...


No Brasil, falar sobre literatura dá dinheiro? Se não dá, dá o que então?


Boa literatura não dá dinheiro no Brasil.


Quais tem sido as estratégias do Suplemento para enfrentar período da pandemia? O público tem se adaptado bem às mudanças, se é que houve, ou as coisas se mantêm as mesmas?


A publicação impressa do SLMG está suspensa desde muito antes do vírus, mas o jornal pode ser visto em PDF no site da Secult. A quarentena só adia mais as possíveis soluções.


Por favor, utilize o espaço desta pergunta para nos contar mais sobre o Suplemento.


O Suplemento Literário de Minas Gerais vai completar 54 anos de existência em setembro. Durante todo esse tempo, enfrentou ditadura, censura, diversos tipos de ataques moralistas e subliterários, e tem sobrevivido. Propiciou o surgimento de algumas gerações de escritores e artistas plásticos, divulgou a literatura estrangeira — com destaque para o então nascente boom da literatura sul-americana — e angariou prestígio em todo o Brasil e no exterior. Sua importância está marcada neste mais de meio século na vida cultural brasileira.



*Texto originalmente 22 de maio, semana em que também aconteceu a conversa com outro grande site de literatura o Escrita.blog.

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