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Leia livros

\\ LIVROS

Que boa ideia seria retomar a máxima da Brasiliense e bradar com veemência: leia livros!

Por André Filipe*, colaboração para Frentes Versos

Caio Graco Prado – Fotomontagem: Vinicius Vieira/Jornal da USP.

Era assim que se chamava o periódico lançado em 1978 pela editora Brasiliense, então chefiada pelo editor e agitador cultural Caio Graco Prado. Inspirada no New York Review of Books, a publicação fora idealizada como ferramenta para ativar um debate público em torno do livro e de seu papel pela redemocratização do país. O Leia Livros foi uma semente do que no ano seguinte se tornaria a tradicional coleção Primeiro Passos, que até hoje pode ser facilmente encontrada em sebos e bibliotecas.


Além da Primeiros Passos consigo puxar da memória outras célebres coleções que fizeram parte não apenas da minha vida, mas de muita gente: o Círculo do Livro, a série Vaga-Lume, as publicações Folha, o Clube do Livro, Literatura em Minha Casa, coleção Saraiva, etc. Algumas já extintas e outras que ainda resistem ao tempo com algumas modificações, mas com o mesmo brilho e força. Quem não se lembra dos versos de Castro Alves que estampava a contracapa de alguns volumes escolares:


Oh! Bendito o que semeia livros, livros à mão cheia, e manda o povo pensar! O livro, caindo n’alma, é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar.


José Midlin, um dos maiores propagadores do livro no Brasil e dono de um acervo de aproximadamente 38 mil obras, dizia que todos nós construímos uma biblioteca interior, alicerçada sobre uma relação afetiva com títulos, personagens, autores. Concordo com ele. A leitura nos dá um sentido espiritual e amplia nossos horizontes, e até mesmo o manuseio do livro nos proporciona um prazer físico, além de outras peculiaridades que cultivamos em nossos rituais particulares.


Capa do periódico "Leia Livros" (Reprodução).

Por que estou divagando com essas lembranças? Explico. Lendo as notícias sobre a proposta do atual governo para taxar o mercado editorial – medida que há de encarecer o livro e tornar o acesso a ele ainda mais restrito -, penso em como esse objeto é, não apenas fundamental para a formação cultural e progresso de todo o país, mas um símbolo de memória e afeto. Está sempre pronto a oferecer generosamente seu sabor a quem o quiser, nos permitindo viajar sem sair do lugar, explorar coisas inimagináveis e infinitas. E, quando fechado, permanece na estante aguardando silenciosamente e sem cobranças a nossa atenção. Que boa ideia seria retomar a máxima da Brasiliense e bradar com veemência: "leia livros!"


Coincidentemente reencontro hoje um pequeno volume que carrego comigo há algum tempo, intitulado A Paixão pelos Livros, uma edição da Casa da Palavra, de 2004. Nele estão contidos depoimentos, crônicas contos e frases que têm como protagonista, evidentemente, o livro.


*É jornalista

(Os textos de colaboração não expressam necessariamente a opinião da FV)

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