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Longa sobre hotel sinistro narra as histórias do suicídio assistido na Suécia

\\ CINEMA

Segundo longa de Jonas Alexander Arnby, “O turista suicida” é uma ficção que usa artifícios do humor para tratar do suicídio

Por Angelica Cigoli Frangella, Especial para Frente & Versos

Quando você ler isso, Max já estará… morto?

Alguns já devem ter escutado sobre inúmeros casos de suicídio assistido na Suíça, repercutidos no mundo, a situação serviu como estopim para que houvesse sensíveis modificações na legislação do país. Diferentemente da eutanásia, que provoca a morte sem sofrimento de pacientes com doenças terminais, o procedimento deste filme é dolorido do ponto de vista psicológico: termina-se a vida com auxílio de outra pessoa, mas nem sempre como solução apenas para uma saúde física debilitada. Este é o papel de Aurora, o nome do Hotel sem saída onde Max Isaksen (Nikolaj Coster-Waldau), com fins aparentemente investigativos, se hospeda.

Como segundo longa de Jonas Alexander Arnby, “O turista suicida” é uma ficção com nome que pode vir a assustar determinados espectadores. Por mais que nosso pré-conceito traga a ideia de algo perturbador, algumas cenas com tom de humor podem ajudar na quebra da tensão que a conotação do suicídio nos traz. Max, o protagonista, talvez não pense da mesma maneira – e isso se deve por não ter ciência de que sua hospedagem só findaria juntamente a sua vida.

Mas, afinal, o que faz um corretor de seguros em um Hotel com tal finalidade? Max passa a ter um segundo ofício quando um de seus clientes, Arthur, desaparece. Passam-se seis meses desde a última vez que o homem é visto; sua esposa, sem qualquer esperança de que o encontraria, pede a liberação do valor do seguro de vida. Sem provas conclusivas acerca do óbito, nada poderia ser solucionado. Ao menos que um vídeo de Arthur, contando que se mataria em poucos dias, chegue nas mãos dos que buscam por ele. Esta prova parece um bom motivo para, além de corretor, Max se tornar um investigador.

Vale ressaltar que esta parece uma explicação racional e plausível se deixamos outro plano de lado: Max, na verdade, estava passando por complicações em seu relacionamento com Laerke (Tuva Novotny). Saber disso deixa o quadro ainda mais dramático – mesmo que o suicídio e o Hotel ganhem maior notoriedade (ênfase quem sabe até maior do que a dado ao próprio personagem principal). Pode, quem sabe, o âmbito emocional ter alguma relação com toda a trama que se segue.

Durante o filme, entramos em uma série de questionamentos. Qual é o real motivo do protagonista visitar o Hotel? Será que estava ali realmente pelos fins investigativos? Como é que um lugar desses é permitido? É possível, depois de ali se hospedar, falar sobre “futuro”? Talvez terminemos de assistir e não tenhamos essas dúvidas, bem como outras, esclarecidas. Talvez, além disso, sua atenção centre nas inúmeras bizarrices do Hotel – provavelmente no “conselheiro de despedida”, ou até mesmo na “cremação biodegradável”. Dentre todas as incógnitas de “O turista suicida”, a única certeza é de que se trata de um enredo que te prende do início ao fim. É a única certeza, reforço, já que a conclusão do filme só poderia ser encontrada se entrássemos na cabeça daquele que projetou essa ilustre investigação enigmática.


“SELVMORDSTURISTEN”

O TURISTA SUICIDA – Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Ficção

90 min

2019

14 anos

Dinamarca, Noruega, Alemanha, França, Suécia


Imagem/divulgação

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