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Luzes de lampião

\\ ESPECIAIS


A publicação vinha com o intuito de dar luz àqueles que estavam à margem dos padrões da ditadura. 


Redação, Frente & Versos

(Imagem/reprodução).

O jornal “Lampião da Esquina” veio feito novidade naqueles anos nebulosos de ditadura. Criado por onze ativistas pró-diretos gays, Darcy Penteado, Adão Costa, Aguinaldo Silva, Antonio Chrysóstomo, Clóvis Marques, Francisco Bittencourt, Gasparino Damata, Jean-Claude BernardetJoão Antônio MascarenhasJoão Silvério Trevisan e Peter Fry.


O jornal representou uma classe que pouco tinha voz na sociedade, mostrando-se significativa para a solidificação de uma identidade, mostrando além do que se chamava “Cultura dos guetos”; o “Lampião” apostava em costumes da comunidade homossexual, por uma série de artigos, entrevistas, contos, crônicas, colunas de cotidiano, resenhas, cultura pop e mais uma série de seções que correspondiam arte e vida social – e, também, política.


Os recursos para a circulação do periódico vieram por meio da criação de uma editora homônima, assim, colaboradores passaram a doar quantias em dinheiro para alavancar o projeto. Ao fim, o “Lampião” teve 38 edições, incluindo o número zero. De início, cada edição circulava entre 10 a 15 mil exemplares em todo o Brasil – sendo levada nas malas de seus criadores também rumo ao exterior.


O “Lampião” foi um tabloide com editoriais fixas como “Cartas na Mesa”, onde cartas de leitores eram publicadas e respondidas, “Esquina” ficava pela reunião de notícia quentes, “Reportagem”, a cabo da matéria de capa, na maioria das vezes; e, tendo início no número cinco, a coluna “Bixórdia”. Além dos carros-chefes do jornal, conteúdos culturais, como resenhas de livros, exposições, shows, filmes, sempre bem bolados, atraiam o público, muito além do jornalismo “preto no branco”, da grande imprensa. A produção do conteúdo era feita pelos conselheiros editoriais e por convidados que variavam a cada número.


O jornal, de início, preocupava-se em retirar o homossexual da margem social, abrindo o espaço de fala às minorias. Já em sua fase final o “Lampião” milita com astúcia, associando-se  ao gueto e expondo os lados “menos comportados” para a patrulha de costumes da época,, como ensaios sensuais e temas antes evitados, ao menos nos primeiros números.


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Aqui vai o link usado na consulta dos PDFS de todas as edições do “Lampião de Esquina”: http://www.grupodignidade.org.br/projetos/lampiao-da-esquina/


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