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[Resenha] Novo livro traz figura de produtor musical para além de agente do mercado sonoro

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Rocking All My Dreams conta a história de Paul Baron, produtor de Chuck Berry, Scorpions e Jerry Lee Lewis.


Por Gabriel Zorzetto


Se existe uma figura misteriosa no mercado musical é a figura do produtor de show. É quase impossível não formar uma imagem que construímos de empresários com cifrões nos olhos e que pouco se interessam pelos artistas que trabalham, muito menos com o público. É verdade que grandes empresas do entretenimento global fazem questão de manter essa imagem, blindando empresários de qualquer visibilidade que não seja a do show-business.

Porém, o mexicano Paulo Baron é uma exceção. Fã de rock desde a infância, nascido em Guadalajara, começou a trabalhar cedo em várias ocupações para, finalmente aos 19 anos, depois de mudar-se para Londres, criar sua empresa e trilhar um estrondoso caminho bem-sucedido no mercado de shows na América Latina, tornando-se uma figura conhecida dos fãs do gênero. Para ele, o bom produtor deve passar despercebido: “Quando é bem feito, o público não percebe e nem deve perceber o trabalho do produtor”.

Ao longo dos 30 anos de sua produtora, a Top Link Music, esteve em mais de 50 países e produziu cerca de 10 mil shows, sempre apostando em nomes mais pesados do hard rock e heavy metal como Sepultura, Massacration, Dream Theater, Scorpions, Anthrax, entre outros.

Contudo, seu maior orgulho foi ter produzido nomes lendários e pioneiros do rock como Chuck Berry e Jerry Lee Lewis, que se apresentaram no Brasil em ocasiões raras. “São caras da primeira geração do rock. Estar perto destes caras é fazer parte da história”, conta.

Na esteira das celebrações, Baron escreveu e lançou “Rocking All My Dreams” (Editora Verso, de Curitiba), em parceria com o amigo e jornalista Emerson Anversa. O livro, que já está à venda em diversas livrarias, ainda conta com dois prefácios: um de Dee Snider, vocalista do Twisted Sister, e outro de Kiko Loureiro, guitarrista que já atuou no Angra e Megadeth.

De leitura agradável e acessível a todos os públicos, a narrativa da obra insere o leitor nas experiências de Baron de forma certeira, e mais importante ainda: humaniza o autor, relatando seus altos e baixos, bem como sua complexa personalidade, cheia de falhas e virtudes.

As histórias de bastidores são a cereja do bolo e enriquecem ainda mais o livro. O autor teve que lembrar muitos detalhes e anedotas colecionadas ao longo dos anos para completar este trabalho, que poderia facilmente render um segundo volume.

“Quando me decidi a escrever esse livro, foi como abrir um baú cheio de lembranças e histórias. Me lembrei da quantidade de e-mails e de pessoas que chegaram a mim e me disseram: ‘Você se lembra de que me deu a primeira oportunidade de fotografar, ou trabalhar no show business, ou subir em um palco grande, e hoje sou um artista famoso?’ Olho para meu presente e ainda me sinto com energia e imaginação. Mas quando olho para trás, vejo que se passaram 30 anos, e essa é uma bagagem muito importante”, relata.

Para aqueles que querem seguir o caminho do empresariado musical, Paulo conta que, ao produzir o livro, nada mais tentou do que contar a história de um sonhador que enxergou diversas oportunidades de vender o sonho do rock para milhares de fãs e, por que não, para muito músicos.

“Qualquer pessoa tem de perseguir seus sonhos. Quando consegue, e o ápice de sua vida. Para mim, os 30 anos da Top Link é a construção de uma vida e a materialização de um sonho, a realização de um sonhador que ajudava os pais na escola, em casa, e que depois ganhou o mundo. Eu acreditei no meu sonho e tenho convicção de que todo mundo tem de acreditar em tornar seu sonho possível. Sinto que sou um cara de muita sorte”, afirma o empresário.


A despedida do CCR

Para este segundo semestre, Paulo e a Top Link seguem comemorando o ano especial trazendo novamente ao Brasil o Creedence Clearwater Revisited, uma espécie de spin-off da histórica banda americana formada nos anos 60.

Essa versão do grupo, na estrada há mais de 20 anos, está em turnê de despedida e virá ao país pela última vez. O quinteto não usa o nome original (Revival) devido a problemas judiciais com o antigo vocalista, John Fogerty. O cantor, inclusive, quis impedir o grupo de usar o CCR, com o Revisited no final, e durante um curto tempo a banda derivada atuou como Cosmo’s Factory, título do clássico disco lançado em 1970.

Na atual formação, segue a lendária cozinha (baixo e bateria) da banda original: Stu Cook e Doug Clifford, que sempre trazem ao palco todos os hits da banda como “Have You Ever Seen The Rain?”, “Proud Mary”, “Bad Moon Rising”, “Traveling Band” e “Born on the Bayou”.

As apresentações serão em outubro, passando por São Paulo (25), Porto Alegre (26) e Curitiba (27).


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TÍTULO: ROCKING ALL MY DREAMS

AUTOR:Paul Baron

EDITORA: Verso

ANO: 2019
















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