• André Vieira

União Espanhola - Isabel Figueró Cruz

\\ POEMÁRIO

La rendición de Granada,Francisco Pradilla y Ortiz


Caso queira entender do que se trata essa seção de"PEDANTISMO", sugiro que entre aqui.


Quando conheci Isabel, ela ainda era residente do convento da Santíssima Trinidade em Marília, interior de São Paulo. À primeira vista, a então freira parecia uma devota exemplar, e uma alma gentil, ajudando aqueles acometidos por doenças e outros em busca de amparo, proteção, do escudo lívido, quase invisível, de Deus que lhes resguardasse das tentações da carne e lhe escudasse das moléstias da alma, da sombra vívida que se projeta por detrás de cada um nós; mas isto foi antes....


Antes dos gritos, do fogo e do semblante da madre superiora repousar satisfeito sob seu colo esquio, juntamente com suas últimas palavras de veludo, Isabel era feliz; "aos mortos não se nega votos", apregoou Isabel na última vez que nos encontramos na Paróquia São Gabriel, no coração do Itaim Bibi. "Minha vida agora lhes pertence. Se antes minha fé era revestida pelo manto argênteo do Santo e pela graça dourada do Espírito Santo, hoje, depois do que me aconteceu serei um receptáculo para a Ira que me ceifou a alegria", me contou enquanto repetia a celebração ecumênica com rosário no colo e o cálice na boca.


Desde último encontro, eu a revi apenas em longas ligações de skype, em curtos áudios de WhatsApp ou, mais recentemente, em cartas longas; cartas lacônicas sobre suas expedições a África e ao Médio-Oriente. Embora me conte que vive num azáfama biblíco, percebo que os ventos que lhe sopram ainda são alísios e os campos que procura, embora viva muito próxima a praias e desertos, são os elísios. Me sinto feliz dela não ter esquecido quem um dia foi.

"Díos bendiga a aquellos que lo merezcan"




União Espanhola.


Grinalda dourada;

Metal de ambição real:

Guinada em Granada.


Isabel Figueró Cruz



(Crédito foto da capa: Bords de Seine de Argenteuil; Édouard Manet)

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