• André Vieira

Palácio da Alvorada - André Vieira

\\ POEMÁRIO


Miniatura do cerco de Antioquia, presente em Passagens d'outremer por Sébastien Mamerot.

Caso queira entender do que se trata essa seção de"PEDANTISMO", sugiro que entre aqui.


Semana 2, dia sexto: a aurora me invadiu como a praga que consome o coração dos homens. De seu radiar lúgubre e alvejar áureo, entendi como se formaria meu dia através da xícara de café e do reluzir do sol por entre a pasta de dentes em tubo e o radiorrelógio sobre o criado-mudo. Gostaria de poder enxergar algo além das cores da minha iris, mas por miopia terminal e dislexia aguda, daquelas que fazem com que parede se torne "repare" e impeça em "em peça", me nasceu um mundo próprio, distante da realidade massiva do porvir de paralelepípedos, mas, ainda sim próximo o suficiente das divagações oníricas do mundo das possibilidades do lençol manchado.


Realidade distópica? Em absoluto. Todavia, ainda insuficiente para o cego que se encastela na torre em busca de sua sobrevivência mundana. Dito tudo isso, apresento-lhes o hai-cai dessa manhã:



Palácio da Alvorada

Aurora em Castelo;

Sol frêmito pelo reino:

Entoa o Martelo.

André Vieira



(Créditos foto capa: Table de petit déjeuner, Felix Esterl)

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