• Bruno Pernambuco

Retrato falado

\\ POEMÁRIO


Por Bruno Pernambuco



Autoritratto entro uno specchio convesso(1524), Parmigianino

I

Como pode esse sentimento

tão simultâneo

àquele amor que eu sinto?


Esse abade do laço,

nó que eu desfaço,

verdade que eu minto.

Esse inverso do certo,

acerto do verso,

memória que esqueço


A lembrança do abraço,

um ano que eu faço,

início do avesso.


II

Perdi um pensamento

na boca da primavera que aguardo.

Espero um tempo que espere

meu segredo nenhum está guardado.


III

Última nota não tenho de uma emoção

que nasce no silêncio até morrer

em paz de folha seca

que dança no tropeço de amar.


Me falta a última palavra de um poema que acontece

no espaço entre o sal dos olhos

e o instante do mar.


IV

Primeira lembrança

o açoite da andança,

capela na noite.


Rumo de se perder.

A estrada que leva a nada,

meu caminho em você.


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