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verborragia

\\ POEMÁRIO


Por Amanda Vital* , colaboração para Frentes Versos

Escultura produzida por Rodrigo Martins e exposta na Central Galeria em 2016 (Imagem: Raphael Fonseca).

verborragia


as palavras me engatam a garganta pelas úngulas

escalando paredes massudas de vazio acumulado


sinto o amargo dos farelos as camadas raspadas

a saliva confinada nas grossas grades da afasia

sinto cada gota desse sumo chorumoso e espesso

desgarrado à força na degeneração dos silêncios


tento cobrir a boca reprimir o ímpeto delinquente

numa hipótese vã de fazer descerem os demônios

chego a engolir pressionar empurrar impelir sigilos


mas vozes correm em desespero entre meus dedos

explodindo faringe laringe mandíbula cordas vocais

fere a carne coagula o verbo na arma que impunha


as palavras me sepultam a mudez pela insistência

arrebentando pontos repetidos de eternas suturas


*Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) é editora-adjunta da revista Mallarmargens. Bacharel em Estudos Literários pela UFMG, atualmente cursa Mestrado em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Autora dos livros Lux (Penalux, 2015), Passagem (Patuá, 2018) e da plaquete Perspectiva, publicada pela Revista Mirada (2020). Tem poemas e traduções publicados em revistas, blogs e jornais – virtuais e impressos – como Germina, Mallarmargens, Ruído Manifesto, Correio das Artes, Acrobata, Equimoses, Zona da Palavra, RelevO e Caliban. Também participou de antologias como 29 de abril: o verso da violência (Patuá, 2015) e Ventre Urbano (Penalux, 2016). Foi curadora da 4ª edição da antologia Carnavalhame (2020). Tem poemas traduzidos para inglês e catalão. Contato: amandavital@live.com

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